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03/01/2010 - 00:00:00
Dr. Henrique promete que, em 2014, Fortaleza estará saneada para a Copa do Mundo
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De 2007, quando tomou posse, para cá, ele aumentou em 60% o investimento médio anual da empresa. Agora, promete que, em 2014, Fortaleza estará saneada para a Copa do Mundo:
A Aldeota dos ricos já está saneada. Quando a periferia dos pobres sairá da fossa?
O atual Governo tem a preocupação muito grande de investir na infraestrutura básica. Assim, de 207 para cá, nós intensificamos os investimentos nas áreas de água e de esgoto, tentando atender ao maior contingente de população. Então, a tomada de decisão não leva em conta a renda, mas a densidade populacional. Isso já se mostra do ponto de vista concreto. Se você pegar o lado Oeste da cidade, ele tem uma cobertura maior do que o lado Leste, onde está a Aldeota, na qual está a parte da população de renda mais elevada. É claro que, para fazermos estrutura de esgoto, precisamos obedecer à geografia. Temos de fazê-lo chegar à Estação de Pré-Condicionamento para, em seguida, lança-lo no emissário submarino. Você tem de percorrer sempre do centro para os extremos da cidade, mas sem privilegiar a população de maior renda, mas regiões que sejam mais densamente povoadas, de tal forma que sejam geradas saúde e qualidade de vida para um contingente populacional maior.
A região de influência da Avenida Washington Soares, ao Sul do Rio Cocó, está fincada sobre fossas sépticas. Houve uma licitação e as empresas vencedoras já dispõem da ordem de serviço para começar os trabalhos. Por que não começam?
Já começaram. Como qualquer obra de esgotamento sanitário, essas, pela dificuldade de execução, pelo volume de investimento, são normalmente obras cuja execução demora dois anos. Realmente, todas as empresas já estão de posse das respectivas ordens de serviço e dentro de dois anos pretendemos estar com tudo concluído. São obras que beneficiarão todo o lado Sudeste da cidade, na Washington Soares, e teremos o cuidado extremo para que gerem benefícios sem causar transtornos à população. No curto prazo, essas obras estarão visíveis, mesmo porque se farão em vias públicas. Já há algumas coisas sendo feitas, como a movimentação de equipamentos, a montagem dos canteiros de obras. Resumindo: são obras em inicio de execução.
Quando 2014 chegar e com ele a Copa do Mundo e a multidão de turistas, a cidade estará então saneada?
Fortaleza já é, hoje, a segunda capital do Nordeste com maior nível de cobertura de rede de esgotamento sanitário. Aliás, devo dizer que esse nível é bem superior ao da média das outras cidades, ou seja, é um esgoto 100% tratado e a ele é dado um destino adequado. Quando a Copa do Mundo chegar, a infraestrutura que está em execução e mais a que será executada ampliarão a que já existe e que hoje atende a 52% da capital cearense. De modo que os turistas que virão aqui para a Copa das Confederações, em 2013, e para a Copa do Mundo de 2014 encontrarão uma cidade bem saneada. Isto nos conforta, mas também nos desafia. A Copa é uma oportunidade para que busquemos novos recursos para investir na infraestrutura básica, na geração de saúde e bem-estar.
Há números?
De 2007 para cá, a média de investimentos da Cagece tem sido 60% superior à média história do que foi investido nos 12 anos anteriores. E também 60% maior do que a média dos quatro anos do Governo anterior. Concretamente, e não retoricamente. Isto quer dizer que este Governo tem, entre suas prioridades, a geração de saúde para a sua população.
Os jogos da Copa serão no Castelão, que se localiza em uma área ainda não saneada. Em 2014, os bairros do entorno do Castelão terão se livrado das fossas?
Nas obras de saneamento que já contratamos, a região do Castelão já está contemplada. O lado esquerdo da área de influência da Avenida Alberto Craveiro já está saneado. Vamos continuar o saneamento para o lado direito da Alberto Craveiro, envolvendo a área do Aeroporto e da Avenida Dedé Brasil. Nós não descansaremos enquanto não conseguirmos universalizar o sistema de esgotamento sanitário em Fortaleza e no Estado todo. Enquanto existir o desafio, estaremos correndo atrás dos recursos para investirmos muito mais, ainda.
Sem tirar da mente a Copa do Mundo: o Porto das Dunas, que ainda vive sobre fossas, estará saneado em 2014?
Para o Porto das Dunas já há projeto de esgotamento sanitário pronto. Algumas partes do projeto dispõem de recursos financeiros assegurados pela Secretaria Estadual de Turismo. O restante desses recursos nós estamos buscando. Acreditamos que, neste ano de 2010, nós conseguiremos captar o que falta para que toda a população daquela região seja beneficiada. É um recurso mais difícil de conseguir, porque, normalmente, os organismos financiadores costumam priorizar o que gera saúde e não áreas exclusivamente de veraneio, e esta é uma atitude correta. Mas isso não nos tira a responsabilidade de buscar recursos também para regiões turísticas, porque o turismo é importante para o Ceará, pois sempre foi sua vocação.
A Cagece é superavitária?
Sim, a Cagece é uma empresa superavitária, que tem uma operação reconhecida nacionalmente, tanto é que ganhou, neste ano, grandes prêmios, como o Nacional de Gestão Pública, conferido pelo Ministério do Planejamento; o Prêmio Nacional de Qualidade em Saneamento, outorgado pela Fundação Nacional da Qualidade e coordenado pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária; o Prêmio Nacional de Uso Racional e Conservação de Energia do Ministério de Minas e Energia, tudo isso fruto de árduo trabalho.
Quais são os números?
Fecharemos este ano com uma receita superior a R$ 500 milhões e com investimentos de R$ 126 milhões em novas obras de água e esgoto.
A iniciativa privada teria interesse de fazer saneamento em Aiuaba (na região dos Inhamuns), por exemplo? Ou ela só desejaria o filé, que é Fortaleza?
A iniciativa privada tem uma forma de ver o mundo, o que é próprio dela. Ela analisa tudo do ponto de vista econômico. Eu sou executivo de uma empresa do Governo do Estado do Ceará, que tem como missão gerar saúde e qualidade de vida para toda a população.
No Governo, ainda não baixou a ideia de privatizar a Cagece?
Volto a repetir: somos uma empresa pública, com muito orgulho, e eficiente para que possamos gerar esse benefício com qualidade para a população. Queremos continuar empresa pública e temos a obrigação de sermos eficientes.
Como o senhor lida com a pressão dos políticos?
A pressão do bom ator político se faz em busca do benefício para a população. Assim, na hora em que ele pressiona a Cagece no sentido de gerar saúde e qualidade de vida, nós nos tornamos parceiros. Esse tipo de pressão é agradável, mesmo porque passamos a contar com esse ator político na captação dos recursos financeiros necessários ao atendimento de seu pleito.
Quais os organismos que mais financiam os projetos da Cagece?
A maior parte dos recursos com que conta a Cagece é oriunda de programas de financiamento da Caixa Econômica Federal. Temos muitos recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), graças à excelente parceria do Governo Federal com o Governo do Estado. E ambos pensam do mesmo jeito, ou seja, que investir em saneamento é garantir saúde.
O BID não financia mais?
Temos um financiamento do BID que já está sendo pago. De 2007 para cá, nós conseguimos captar, de novos recursos, por meio do PAC, cerca de três a quatro vezes mais do que o BID financiou, e que está sendo pago. Os recursos (do BID) foram importantes e são importantes, mas nós temos como principal parceiro hoje o Governo Federal, graças à visão que tem o presidente Lula de que, alinhado com o Governo do Estado, investir em saneamento é de extrema importância.
Esqueçamos o BID, então?
Não. O que estou enfatizando é que nosso principal parceiro hoje é a Caixa Econômica. Mas novos financiamentos do BID, do Banco Mundial, do BNDES, do BNB são oportunidades que, se forem concretizadas, só gerarão benefícios para a população.
A Estação de Tratamento de Esgoto e o molhe de pedra que protege o emissário submarino na Leste-Oeste não precisam de ampliação?
A Estação de Pré-Condicionamento da Avenida Leste-Oeste tem capacidade instalada para tratar todo o esgoto dessas obras que estão em andamento e das que ainda serão feitas. Ali, nós fazemos um controle extremo, usando até mergulhadores, para acompanhar as condições físicas do emissário para que tenhamos sempre a boa qualidade do serviço que prestamos. Nós fazemos controle da qualidade da água e inspeção minuciosa de como está o equipamento.
Mas não há necessidade de ampliar a estação?
Já temos concepção de projeto para outras estações de tratamento para que se amplie a cobertura de esgoto na Região Metropolitana de Fortaleza.
E onde seria essa nova ETA?
Essa concepção prevê uma Estação de Tratamento de Esgoto na região de Messejana.
E o resultado desse tratamento onde será lançado?
Ele será lançado obrigatoriamente em um corpo hídrico. No caso da ETA de Messejana, a ideia é lança-lo no Rio Miriu. O tratamento terá um nível tecnológico tal que não causará qualquer impacto ambiental ao corpo hídrico. É assim que se faz em qualquer lugar do mundo, beneficiando a população e não causando impacto ao meio ambiente.
(Entrevista ao Jornal Diário do Nordeste)
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