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10/01/2010 - 00:00:00

Depois do ano catequético...?

 09/09/2010
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Com ele muitos eventos foram realizados nas Dioceses, nas Paróquias e Comunidades. Com certeza, em todos estes encontros não faltaram conclusões, propostas e encaminhamentos que precisam ser assumidos.

Em nível nacional foi realizada de 6 a 11/10/09 a 3ª Semana Brasileira de Catequese, como parte do referido Ano, tendo como objeto de estudo a ``Iniciação à Vida Cristã``.

Na Arquidiocese de Fortaleza, podemos afirmar que o grande evento que culminou com o Ano Catequético foi o Simpósio de Catequese, promovido pela Equipe Arquidiocesana de Articulação Catequética e a Escola de Pastoral Catequética e realizado no período de 27 a 29/11/09. Teve como objeto de reflexão ``A Catequese na Ação Evangelizadora da Igreja``.

Tomando contato com os conteúdos dos eventos aqui citados, há um fio condutor que aponta para a necessidade de uma mudança de rota no perfil da atual catequese e dos catequistas & que a catequese se torne uma mediação do processo de evangelização que vá forjando cristãos maduros, que assumam o compromisso da fidelidade ao projeto de vida trazido por Jesus Cristo, que é um projeto contracultural, que vai na contramão da história. O que se percebe hoje, diferentemente do estilo de Jesus, é que a religião vai assimilando a seta que está conduzindo e construindo a história pelo viés da economia de mercado, na medida em que cada vez mais tem como foco o Ter, a recuperar as posses e as finanças perdidas ou quando não é assim, é indiferente à vida.

No Simpósio acima citado, no momento em que uma das Assessoras - Ir. Annette Dumoulin - fazia uma síntese conclusiva do encontro, como que para reforçar a necessidade de mudança, a palavra chave que apareceu 21 vezes como ressonância dos aprofundamentos das oficinas realizadas foi ``Urgência`` (cf. Boletim Informativo da Arquidiocese de Fortaleza & Dez/2009, pp. 37 -40).

Depois da realização do Ano Catequético e dos inúmeros desdobramentos que partiram dele, fica a pergunta: E agora, o que vamos fazer? O Ano Catequético já pode ser considerado coisa do passado? Pode ser considerado ponto de chegada ou ponto de partida? Diante do rico material que dispomos o correto agora é: Avaliar.

Em primeiro lugar a disposição de cada catequista, inclusive nós padres grandes responsáveis para conduzir o processo de forma participativa, de compreender o novo momento e abrir-se a um processo de mudança que exige ascese, desapego das ``certezas`` que temos e enveredar na busca deste ``novo`` estilo, que, se bem assumido pode mudar o perfil da milenar estrutura paroquial. Qual é este ``novo`` estilo? A iniciação à vida cristã, com inspiração catecumenal.

Como perceberam, o ``novo`` está entre aspas, justamente porque não é tão novo quanto se pensa. Ele faz parte do patrimônio histórico catequético da Igreja Católica e que depois do século IV foi sofrendo mudanças radicais, por conta de um cristianismo de herança que não enfrentava mais a perseguição e que se encheu de privilégios, que deixou consequências até hoje.

A complexidade da sociedade atual pede uma reviravolta, pois nosso estilo de catequese ou mesmo do processo mais amplo que é o de evangelização, é realizado como se ainda estivéssemos em uma sociedade de cristandade, não levando em consideração o pluralismo presente em nossos próprios lares, onde um membro da família é da Igreja Universal, outro não acredita nas Igrejas, um mais jovem vive o espírito comunitário em alguma tribo (Grupo Emo, Grafiteiro, Hip-Hop, via de regra grupos considerados marginais na sociedade), outro é da Igreja Católica, outro é Espírita. Também não leva em conta a secularização.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil publicou recentemente um subsídio intitulado Iniciação à Vida Cristã & Um processo de inspiração catecumenal (estudos da CNBB nº. 97), porque a catequese passou a ser uma das preocupações da Conferência. Na apresentação deste subsídio, lembrando a Conferência de Aparecida, afirma: ``A iniciação cristã é um desafio que devemos encarar com decisão, com coragem e criatividade, visto que em muitas partes a iniciação cristã tem sido pobre e fragmentada. Ou educamos na fé, colocando as pessoas realmente em contato com Jesus Cristo e convidando-as para seu seguimento, ou não cumpriremos nossa missão evangelizadora``, (DA. 287).

O material que temos é suficiente & podemos citar: O RICA, o Diretório Nacional de Catequese, os subsídios produzidos nos últimos anos pela CNBB, inclusive o último aqui citado, o Documento de Aparecida, o material disponível da 3ª Semana Brasileira de Catequese que trata do mesmo assunto.A questão é ousar mudar.

Aos amigos e amigas catequistas, aproveitando o primeiro mês deste ano de 2010 em que todos estamos embalados pelas propostas de feliz ano novo, fica o convite para sermos os construtores do pós-Ano Catequético. Um Feliz 2010.

>>PE. ALMIR MAGALHÃES, presbítero da Arquidiocese de Fortaleza, Reitor do Seminário Arquidiocesano de Filosofia, Professor da Faculdade Católica de Fortaleza e Mestre em Missiologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma.

(O Povo/Pe. Almir Magalhães)

 

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