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13/02/2010 - 08:43:23

Folia: dicas de sobrevivência

 06/02/2012
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Aproveitar o Carnaval sem descuidar do corpo, indicam especialistas. Afinal, o mundo não acaba depois da festança.



Quem gosta de Carnaval, em geral, aproveita os dias de folia até o último minuto. São noites sem dormir, alimentação inadequada, desgaste físico e muita bebedeira. O cearense, em especial, adora curtir o reinado de momo nas praias e acrescenta à mistura, muito sol, calor e mar.

Entretanto, dermatologistas, nutricionistas e educadores físicos recomendam que, sem os cuidados básicos com a saúde, a farra pode terminar antes do tempo ou até no hospital. É importante lembrar que o "mundo não acaba na quarta-feira de Cinzas", afirmam os médicos.

Cair na folia debaixo do sol e com os termômetros nas alturas pode causar queimaduras leves na pele e até uma insolação. Para evitar que isso aconteça, a dermatologista Maria Aidê Aguiar sugere alguns cuidados que devem ser observados todos os dias.

Proteção

Segundo ela, o uso do protetor solar (indispensável para todas as idades) sozinho não garante 100% de proteção. É necessário usar boné, chapéu, procurar ficar embaixo de cobertas e beber muito líquido. "Banho com sabonete somente uma vez por dia. Os outros banhos só com água e usar cremes hidratantes".

Não fique vermelho, como um camarão. A "vermelhidão" na pele é ocasionada pela exposição solar excessiva e sem proteção adequada. É muito importante proteger crianças e adolescentes adequadamente.

Se mesmo com o filtro solar a pele fica vermelha após a exposição solar, é sinal de que a proteção não está sendo eficaz ou que o fator de proteção solar deve ser aumentado ou o produto, aplicado em intervalos menores. Agora, se você não tomou esses cuidados e já está sofrendo os efeitos das queimaduras ou até da insolação, a médica Rosimery Almeida aconselha: "jogue água gelada sobre as partes queimadas e mantenha o corpo hidratado. Isso alivia a temperatura da pele e ajuda a diminuir o ardor. Enquanto isso, evite bebida alcoólica".

Câncer

As duas dermatologistas batem na mesma "tecla": nunca é demais alertar o folião sobre os perigos do sol em excesso. Para este ano, a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é de que 6.870 novos casos de câncer de pele apareçam no Ceará. Em todo o Brasil, o Nordeste aparece em segundo lugar, com 32 mil novos casos, perdendo para o Sudeste, com 48.580.

Entre os estados da região, o Ceará figura também em segundo, com a taxa de 1,37 casos para cada 100 mil mulheres; e terceiro, com 1,28 casos para cada 100 mil homens. Outra prática comum é o folião esquecer da importância de uma dieta equilibrada para manter o pique. A nutricionista Patrícia Maria Schmitt explica que, em dias de agitação e calor intensos e noites de pouco sono, o ideal é seguir um cardápio balanceado com muito líquido, proteínas e carboidratos.

Água e frutas

"Troque a cerveja por água ou sucos em curtos intervalos. Comer frutas também é ideal, e lembre-se: quando sentir o cansaço bater, o indicado é parar o pula-pula e ir sentar ou deitar". Além da ingestão de líquidos, comer proteínas e muito carboidrato, como massas, dará mais energia ao folião.

Segundo o presidente da Fiscalização do Conselho Regional de Educação Física (Cref-CE), Humberto Barroso, a ingestão de bebida alcoólica associada ao sol, sem repouso adequado e com baixa imunidade, pode provocar desidratação.

A publicitária Thatia Dias, há cinco anos, viaja para Salvador (BA) para curtir o Carnaval. Ela conta que já se acostumou com o circuito dos blocos durante a manhã. A publicitária chega a caminhar e dançar durante seis horas seguidas.

Apesar de tomar muito líquido, almoçar e jantar bem, ela não toma café da manhã nem lancha. Resultado: sempre volta para casa doente. "Fico gripada e com dor de garganta, acho que pela poeira e pelo calor", conta a foliã de carteirinha.

No Carnaval, diz Barroso, as pessoas pensam que podem tudo, mas não é assim. "Já que não tem repouso suficiente, pelo menos, procure comer bem".

ALERTA
Ressaca diminui reflexos no trânsito

Na última bebedeira, você jurou não exagerar nunca mais. Chega o Carnaval, domingo de praia, folia, dança, convites a uma cervejinha ou a outro tipo de bebida. Você "esquece" o juramento e mergulha com tudo na festa. "Aí é que mora o perigo", alerta o médico João Pedro Pereira Vasconcelos.

Enjoos, vômitos, cansaço excessivo, muita dor de cabeça e um gosto característico de "guarda-chuva" na boca. Esses são os sintomas para aqueles que exageraram na bebida na noite passada e acordaram de ressaca. Levanta a mão quem nunca passou por isso ou não conhece quem enfrentou a rebordosa pós-bebedeira?

A pessoa, explica o especialista, após uma noite sem dormir direito e de ressaca, tem quatro vezes mais possibilidade de provocar acidentes de trânsito. "Com a glicose baixa e desidratado, o folião apresenta uma capacidade cerebral menor e com menos reflexos, mesmo achando que não sente mais nada de desagradável", aponta.

Para o médico, o ideal é não beber nada alcoólico, principalmente se for ficar na festa durante horas a fio. No entanto, se isso não é possível, o indicado é pelo menos oito horas de descanso e, o mais importante, não pegar na direção do veículo.

EQUILÍBRIO
Sono é essencial para repor energias

O dia inteiro debaixo do sol, a noite toda na folia. Algumas pessoas só vão dormir entre quatro e cinco horas da manhã durante o Carnaval ou, às vezes, para não perder tempo, nem dormem. Tomam apenas um banho e trocam de roupa para voltar para a festa. Segundo especialistas, o sono é a principal arma contra doenças respiratórias e infecções. Para se ter ideia, uma noite mal dormida influencia até no desenvolvimento hormonal do indivíduo.

Para evitar que a imunidade esteja baixa e dê abertura para doenças, a solução é tomar medidas simples. Uma delas é uma boa noite de sono, explica a alergologista Patrícia Nunes, doutora em Imunologia.

A médica indica de seis a oito horas diárias de sono. Caso contrário, a pessoa pode sentir fadiga, diminuição da concentração, além de ficar propensa às infecções. Durante o reinado de "momo", salienta ela, os riscos são maiores.

Segundo o especialista em Educação Física e professor da Universidade de Fortaleza (Unifor), Marcelo Viana Azevedo, para o folião que não faz atividade física regular, o recomendado é não passar mais de quatro horas na folia, sem descanso.

A ingestão exagerada de bebida alcoólica faz com que o corpo não relaxe durante o sono, o que acaba também sendo prejudicial. "O Carnaval é atividade física pura. Não extrapole".

Todo cuidado é pouco

"Para todas as idades, é indispensável o uso disciplinado do protetor solar"

Aidê Aguiar Araújo
Dermatologista

"Se não há repouso adequado, pelo menos, procure se alimentar bem e tomar muito líquido"

Humberto Barroso
Educador físico

LÊDA GONÇALVES / KARLA CAMILA / REPÓRTERES dos Diário do Nordeste)

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