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/ POLíCIA

23/02/2010 - 06:07:26

Rotina de assaltos na porta de casa

 07/02/2012
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Um assalto a cada fim de semana. É a rotina de quem mora às margens de um terreno na avenida Padre Antônio Tomás, no Cocó.



A enfermeira Eliana Sabóia assistiu ao assalto da sacada do apartamento. Era noite de sábado, 6 de fevereiro, e duas moradoras deixavam de carro o condomínio onde moram, um prédio de classe média alta com 16 andares numa ruazinha sem denominação, perpendicular à avenida Padre Antônio Tomás, no Cocó.

Na saída do edifício, mãe e filha foram atacadas por um grupo de quatro homens. Eles saltaram de um terreno – escuro, sem muro nem cerca – e jogaram uma pedra contra o vidro do carro, que parou. Em seguida, armados com revólveres, roubaram tudo que puderam. “Vi tudo, mas não podia fazer nada”, lembrou, ontem.

No último sábado, 20, novo assalto. “É o quarto em menos de um mês”, contabiliza Valdenisa Bernardo, juíza de direito e síndica de condomínio próximo. O roubo foi semelhante ao que vitimou as amigas de Eliana: homens armados surgiram da escuridão do terreno, que fica entre a avenida Lígia Monte e a rua Magistrado Pompeu. Desta vez, o trecho escolhido foi o retorno que dá para a rua Santiago Vasques Filho.

Lá, um veículo foi abordado. Os disparos das armas foram ouvidos do apartamento de Valdenisa. Por sorte, ninguém se feriu. “Está todo mundo sem saber o que fazer. Parece que os bandidos vieram pra cá depois que cercaram o Cocó. Se você for do outro lado do terreno, 10 casas foram assaltadas”.

Errado: foram 14 casas. Uma delas, a do ex-vereador Márcio Lopes, exatamente no Dia dos Pais de 2009. “Estava saindo de casa pra encontrar a minha mulher quando vi os homens. Achei que fossem vizinhos. Pedi que levassem tudo, mas não mexessem com a minha família”.

Antes do assalto, Márcio não conhecia ninguém na rua. Hoje, organiza um café da manhã a cada domingo. “Nos encontramos na rua mesmo”. A mudança é resultado da criação da Associação de Moradores Jardim Fortaleza. A AMJF é responsável pela contratação de um serviço de segurança privada. Como não pode murar nem cercar o terreno, ele diz que a associação pretende plantar árvores com espinhos às suas margens. “É para dificultar a ação.” Outra estratégia curiosa encontrada pelos moradores foi semear a Magistrado Pompeu com os estridentes cãezinhos da raça pincher. A tarefa dos nanicos? Alarmar a cada movimento suspeito.

Titular do 15º Departamento de Polícia, que cobre aquele pedaço da Padre Antônio Tomás, o delegado Alísio Justa admite: tomou conhecimento dos casos com a equipe do O POVO. Segundo Justa, é possível que assaltantes tenham realmente migrado para as proximidades do terreno. “Aqui não tem cerca. Quem assaltava por lá pode ter mudado.” Mas Justa garante: policiamento será imediatamente reforçado ali.

De acordo com a chefe do Distrito de Meio Ambiente da Regional II, Mércia Albuquerque, uma equipe de fiscalização do órgão fará uma visita ao terreno. “Vamos ao local fazer o levantamento do terreno. A partir disso, podemos fazer a identificação do proprietário.” O passo seguinte é exigir que terreno seja murado e calçada seja construída.

O delegado Alísio Justa admite: tomou conhecimento dos casos com a equipe do O POVO

E-MAIS

> De acordo com a Superintendência Estadual de Meio Ambiente do Estado, o terreno que fica na avenida Padre Antônio Tomás não pode receber cerca semelhante à do Parque do Cocó. ``É um terreno particular``, disse a assessoria de imprensa.

> O terreno, que tem uma placa de venda da César Rego Imóveis, tem vegetação densa e morros. Como não tem muro, tem servido também de depósito de lixo.

> Porteiro na rua Santiago Vasques Filho, José Ivan diz que assaltos na área costumam acontecer sábado e domingo. ``Geralmente entre 17 e 19 horas``.

(O Povo)
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