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/ CULTURA E EDUCAçãO

28/02/2010 - 01:12:42

Mediação escolar reduz violência entre alunos

 07/02/2012
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Iniciativa diminuiu casos de indisciplina e agressões verbais e físicas entre estudantes de escola municipal.



A mediação escolar promove a redução da violência entre alunos e propicia ações voltadas para a paz. Essa é uma das conclusões da tese de doutorado em Educação intitulada "Avaliação das concepções de violência no espaço escolar e a mediação de conflitos", desenvolvida pela pesquisadora Cinara Mota Neves de Almeida, de 2006 a 2009.

Xingamentos envolvendo características físicas ou simples pilhérias, muitas vezes, desencadeiam agressões entre alunos, mostra a pesquisa. O mesmo registra-se em ocorrências de ofensas contra a mãe, vista como figura sagrada pelos alunos, explica Cinara, que é professora e supervisora da rede municipal de ensino em Fortaleza, do Distrito de Educação da Secretaria Executiva Regional (SER) I.

De acordo com ela, instituiu-se, na sociedade, a crença de que os alunos apresentam comportamentos indisciplinados e até hostis - agressões verbais, físicas, furtos e destruições de mobiliários - implicando desarmonia do ambiente acadêmico. Com o objetivo de discutir a mediação como prática de resolução dos conflitos escolares, a pesquisa foi feita na Escola Municipal Hilberto Silva, de Educação Infantil e Ensino Fundamental, em amostra de 118 alunos, na faixa de 12 a 17 anos; 30 professores; dois diretores; e cinco pais ou responsáveis.

A metodologia utilizada envolveu observações gerais da escola e da sala de aula, entrevistas, aplicação de questionários e curso de formação sobre mediação e cultura de paz para professores, alunos, bem como pais e responsáveis.

Constatou-se que a comunidade escolar não se encontrava preparada para gerenciar os conflitos e a violência gerados naquele ambiente, relata o estudo. A mediação é sugerida no trabalho como uma estratégia de intervenção com vistas a possibilitar a cultura do diálogo na instituição escolar, sem buscar inocentes e culpados, ganhadores e perdedores.

Conquista

As conclusões da pesquisa resultaram na inauguração da primeira sala de mediação da rede de ensino de Fortaleza, na escola onde foi feita a pesquisa. Segundo a diretora dessa unidade, Tânia Regina Barros, a partir daí verificou-se uma redução da violência na escola. A mediação, feita com alunos treinados da própria instituição, vem possibilitar, ainda, a diminuição de comportamentos indisciplinados e hostis - agressões verbais, físicas, furtos e destruições de mobiliários -, que antes instalavam a desarmonia no local.

Agora, cerca de 20 casos são mediados por dia na escola, que conta com quase 1.500 alunos. "Apenas os casos não solucionados com a mediação vão para a direção", diz Tânia Regina, explicando que a iniciativa reduziu punições por indisciplina, que incluíam suspensão.

Já Cinara Mota adianta ter observado no estudo que, entre os alunos daquela unidade, uma simples brincadeira ou a reprodução de falas como "José cabelo de melão" ou "Menina do cabelo sarará" davam origem à briga corporal. "Xingamento com a mãe do outro é considerado inaceitável entre esses alunos, mesmo que a mãe seja prostituta ou usuária de drogas", acrescenta.

Em outras situações, gozações relativas à aparência física, muitas vezes, chegaram a desencadear o "bullying" (termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados com o objetivo de intimidar ou agredir). "Faltam, no meio escolar, diálogo, cuidado no uso das palavras e respeito à individualidade de cada um, por isso a mediação é tão importante", ressaltou Cinara, lembrando haver desrespeitos entre alunos pela não aceitação da preferência sexual do colega.

A rede estadual não monitora a ocorrência de agressões entre alunos, informa a superintendente das escolas de Fortaleza, Lúcia Maria Gomes. "Mas os gestores são orientados a desenvolver projetos e ações para minimizar esse tipo ocorrência".


NEGOCIAÇÃO

20 casos são mediados por dia na Escola Municipal Hilberto Silva. A iniciativa reduziu o número de alunos que, antes, eram levados até a direção da escola para serem punidos


MOZARLY ALMEIDA
REPÓRTER – Diário do Nordeste

 

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