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08/03/2010 - 06:58:48
Famílias reivindicam novas casas
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As chuvas do ano passado deixaram famílias desabrigadas que, até agora, aguardam as novas casas.
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Quixeramobim Moradia digna. O sonho de milhares de brasileiros está se tornando um pesadelo para 27 famílias da comunidade de Algodões, na zona rural deste município, a 36km da sede.
Desde novembro, quando 20 delas tiveram suas casas de taipa derrubadas, estão morando de favor, com familiares e vizinhos. Algumas foram obrigadas a se alojar em barracos improvisados. Outras estão dormindo até debaixo de árvores. Segundo o presidente da Associação de Moradores Fausto Aprígio de Algodões, Airton Carneiro, as famílias estão vivendo em condições subumanas. Daí resolveu denunciar.
A agricultora Maria Helena Barbosa, a "Preta", confirma o sofrimento. Ela, o marido e mais quatro filhos só tem um teto para ficar debaixo graças à mãe, a aposentada Maria da Conceição Barbosa. Mesmo assim, quando chega a hora de dormir, não tem quem aguente. É formiga para todo lado. A mãe até utilizou inseticida, mas vez por outra atacam novamente. O colchão foi estirado no chão de terra batida. Enquanto os outros dormem, alguém fica de olho no formigueiro. Alívio, por enquanto, apenas por conta da chuva. Ainda não caiu água como no inverno anterior. Mas se chover, além das formigas o aguaceiro leva o resto do barraco em que tentam morar.
Foram justamente as chuvas do ano passado, e continuam sendo, a causa do desespero de outras sete famílias de Algodões. Parte das moradias desabaram ou foram avariadas. Os moradores foram cadastrados no programa emergencial da Defesa Civil do Ceará. Tiveram assegurada a reconstrução de suas casas. Todavia, até agora, não sabem quando terão de volta um lar próprio. Por conta da incerteza, o jeito é contar com a solidariedade dos outros, ou morar debaixo dos alpendres, como Luiz Marinho, a esposa Maria Irisdalva e os quatro filhos. Eles não se conformam com o constrangimento e, principalmente, o desconforto.
Situação pior vive o agricultor Francisco de Assis de Sá. Não fosse o auxílio de uma irmã, cedendo o quintal para construir um barraco, ele e o resto da mobília estariam literalmente sem teto. Por sorte deu para arranjar abrigo para a companheira e os filhos. Mesmo assim, vivendo nas casas dos outros, por mais de três meses, não é agradável para ninguém. Ele não se conforma. Fica mais revoltado por conta da orientação do representante da Prefeitura na sua comunidade, o vereador Chico Carneiro, irmão de Airton Carneiro. "Ele disse que a podíamos derrubar as casas velhas".
A agricultora Maria Elizete de Oliveira também aguarda a nova casa da família. Ela reconhece o esforço do vereador Chico Carneiro, em procurar amparar os moradores, mas encostar areia e tijolos diante dos terrenos não é suficiente. Ela não aguenta mais de tanto esperar. Por enquanto acomoda o marido e mais oito filhos em um cômodo com pouco mais de 10m². Além dos colchões espalhados pelo chão, arma rede para todo lado. Ela calcula: uma casa com três ou quatro vãos, de alvenaria, sem muito luxo, é construída em menos de 60 dias. Pede apenas agilidade na realização das obras.
Acerca da construção das casas de alvenaria, no lugar das de taipa, o vereador Chico Carneiro atribui o atraso ao repasse efetuado pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Imaginava não ter tanta burocracia. O dinheiro do programa do Governo Federal só chega muito tempo após a medição das etapas concluídas. Quanto às outras sete mordias, afetadas pelas chuvas do inverno passado, a falta de mão de obra retardou o cronograma. A maioria dos operários foi trabalhar na sede do município. O valor disponibilizado para a construção de cada unidade é de R$ 1.800,00.
ENQUETE
Como está a situação?
Airton Carneiro
49 ANOS
Pres. da Assoc. Fausto Aprígio
As famílias estão sofrendo. A única coisa que elas querem é realizar o sonho de milhões de brasileiros. Morar com dignidade
Chico Carneiro
55 ANOS
Vereador
Quem consegue um projeto para sua comunidade, com certeza, tem a vontade de entrega-lo o mais rápido possível
Elizete Veríssimo de Oliveira
43 ANOS
Agricultora
Quando a casa da gente cai, a primeira coisa que se pensa é na segurança dos filhos. Queremos apenas uma morada segura
Maria da Conceição Barbosa
69 ANOS
Aposentada
Eu tenho dó dessa gente. Na época de política muito candidato aparece por aqui. Depois, quem quiser que se aguente
MAIS INFORMAÇÕES
Associação de Moradores Fausto Aprígio de Algodões
Município de Quixeramobim
(88) 9266.5882
regional@diariodonordeste.com.br
ALEX PIMENTEL
Colaborador Diário do Nordeste
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