A expectativa é a de que o núncio dom Lorenzo Baldisseri coloque fim à disputa entre os bispos na diocese.
O núncio apostólico no Brasil, dom Lorenzo Baldisseri, fará visita a Quixadá entre os próximos dias 6 e 8 de abril. A ida do representante diplomático do Vaticano à cidade coincide com o momento de impasse vivido na diocese.
Em novembro do ano passado o atual bispo, dom Ângelo Pignoli, decidiu realizar auditoria das contas da Faculdade Católica Rainha do Sertão (FCRS), administrada até 2007 por dom Adélio Tomasin, bispo emérito da diocese. O fato principiou desentendimento que mobiliza a cidade.
O Movimento Solidariedade, de apoio a dom Adélio, chegou a realizar carreatas, organizar abaixo-assinado com 20 mil assinaturas e tentar, sem sucesso, audiência com o núncio em Brasília - chegaram a apelar até para o Vaticano.
``A vinda do núncio é um símbolo de que o povo de Quixadá foi ouvido na Santa Sé``, avalia Gilmar Barros, professor da FCRS e um dos quatro membros da comitiva que foi pedir a intervenção do Vaticano para o caso. De acordo com Gilmar, a visita do núncio deve resolver a situação de conflito e turbulência pela qual passa a diocese.
Silêncio
Como de costume durante todo o caso que divide a diocese de Quixadá, os bispos optam pelo silêncio. Procurado por O POVO, dom Ângelo disse que o núncio irá a Quixadá ``nos dizer alguma palavra de apoio e ajuda``. Sobre a reunião entre o núncio e os bispos, marcada para o dia 8 pela manhã, dom Ângelo disse, sem dar mais detalhes, que o tema será ``assuntos internos da diocese``.
O POVO entrou em contato com dom Adélio, bispo emérito, mas ele estava ocupado e não atendeu o telefone na última tentativa. Na Nunciatura Apostólica, em Brasília, dom Lorenzo Baldisseri também não estava. A secretária do núncio disse que não seria possível entrevistá-lo ontem.
O núncio apostólico no Brasil, dom Lorenzo Baldisseri, chega a Fortaleza na próxima sexta-feira, 06, de onde segue direto para Quixadá. Na cidade, estão previstas missa na catedral ``Jesus, Maria, José``, orações no Santuário Maria Imaculada Rainha do Sertão, reuniões com o clero local e visitas ao hospital e faculdade administrados pela diocese de Quixadá.
ENTENDA O CASO
1. Don Adélio Tomasin foi bispo de Quixadá entre 1994 e 2007, quando entrega o cargo a dom Ângelo Pignoli, por ultrapassar a idade máxima para ser bispo. Mas ele recebe o título de bispo emérito, preferindo permanecer em Quixadá.
2. Em novembro de 2009, Dom Ângelo anuncia auditoria na Faculdade Católica Rainha do Sertão, ``a fim de obter uma visão completa, atualizada e autorizada`` da instituição.
3. A auditoria é qualificada de ``suspeição`` da obra de dom Adélio, segundo defensores do bispo emérito.
4. O impasse é acentuado com a venda de alguns bens da diocese, que ``vive cotidianamente em apuros financeiros``, conforme anota dom Ângelo em mensagem divulgada aos fiéis ainda no ano passado.
5. Dom Ângelo denuncia ameças de morte que estaria recebendo. O caso é comunicado à Secretaria de Segurança Pública, em 3 de dezembro de 2009
6. Em 9 de dezembro o caso chega ao Vaticano: uma comissão é recebida em Roma.
7. Dom Adélio renuncia ao cargo de chanceler da Faculdade Católica no dia 2 de fevereiro.
E-Mais
>O cargo de núncio apostólico é uma espécie de ``embaixador`` do Vaticano em território estrangeiro.
> Dom Lorenzo Baldisseri foi nomeado núncio no Brasil em 12 de novembro de 2002, sucedendo a Dom Alfio Rapisarda. Nasceu na cidade de Burga, na Itália, em setembro de 1940. Antes de chegar ao Brasil, dom Baldisseri foi núncio apostólico no Haiti, Paraguai, Índia e Nepal.
> O POVO mostrou entre os dias 15 e 17 de dezembro os detalhes das divergências na diocese de Quixadá.
> Dentre outras questões, as reportagens apontaram as dificuldades financeiras e a consequente venda de bens da diocese. Movimento em favor do ex-bispo dom Adélio Tomasin dizia, à época, que problemas financeiros começaram na
atual gestão.
(O Povo)