O feriado prolongado de 7 de Setembro foi o mais violento nas rodovias estaduais, considerando todos os feriadões de 2010. A PRE destaca o alto número de acidentes envolvendo motos. Só no domingo, foram cinco mortes envolvendo estes veículos.
Considerando todos os feriados prolongados do ano, o de 7 de Setembro foi o mais violento nas rodovias estaduais, com 16 mortes, em meio a 57 acidentes e 43 feridos. Antes disso, o feriadão de São José, em março, era o que havia contabilizado maior número de mortes. Foram 10, entre 40 acidentes e 25 feridos. De acordo com o comandante da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), coronel Túlio Studart, chama atenção o número de acidentes envolvendo motocicletas. Só no domingo, foram cinco mortes em três acidentes envolvendo motos nas CEs 341, 060 e 085.
“Existe um fator cultural no Interior. Os motociclistas dirigem sem capacete. Além disso, antes, as pessoas andavam de cavalo e jumento. Hoje, elas andam de moto, mas não se habilitam. E ficam revoltadas com a fiscalização”, aponta o coronel Studart. Ele garante que a PRE realizou fiscalização fixa e móvel durante o feriado, mas os acidentes fatais não aconteceram nos locais onde normalmente aconteciam, nos quais a fiscalização foi intensificada.
Conforme o comandante da PRE, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) só participou da operação conjunta na Capital e na Região Metropolitana. O POVO entrou em contato com servidores do Detran que confirmaram o não envio de equipes próprias para o Interior. Eles afirmam que desde antes das férias, as blitze ainda não foram retomadas com o mesmo fôlego.
Além de serem realizadas em menor número, elas estariam assumindo caráter educativo, sendo punitivas apenas em casos gravíssimos. “Mas isso (referindo-se a não participação do Detran na fiscalização do Interior) não é um fator motivador do aumento das fatalidades, porque as blitze não vão estar nos 10 mil quilômetros de rodovia que temos no Ceará”, garante o coronel Studart.
Conforme ele explica, a maioria dos acidentes aconteceu por negligência, imprudência por parte do condutor do veículo. “Muitos desses acidentes não teriam acontecido se o condutor não excedesse o limite de velocidade, não ultrapassasse em locais não permitidos e não consumisse bebida alcoólica antes de dirigir”, assevera. Ele lamenta ainda que o trânsito não tenha sido municipalizado na maioria dos municípios do Interior. Hoje, apenas 48 são municipalizados, ele diz.
Por meio da assessoria de imprensa, o Detran admitiu que não enviou equipes próprias de fiscalização para o Interior e informou que a PRE é parceira do Detran na fiscalização. “Ela representa o Detran. A PRE trabalha com força de um convênio que o Detran tem com ela, então a PRE era quem estava fazendo a fiscalização. A PRE tem 13 postos que funcionam 24 horas nas rodovias, no interior, que foram construídos ou reformados pelo Detran”, completou a assessoria de imprensa.