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08/12/2009 - 00:00:00

Diocese de Quixadá - Divergências chegam ao Vaticano

 07/02/2012
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A disputa na arquidiocese de Quixadá, no Sertão Central, a 167 quilômetros de Fortaleza, entre o bispo Ângelo Pignoli e católicos ligados ao ex-bispo, dom Adélio Tomazin, vai chegar ao Vaticano. No último domingo, representantes do grupo que se autodenomina ``Movimento em Solidariedade a dom Adélio e em defesa da Diocese de Quixadá`` viajou para a Itália levando na bagagem um abaixo-assinado em que pedem a saída do atual bispo da função.

De acordo com Gilmar Barros, professor da Faculdade Católica Rainha do Sertão, administrada pela arquidiocese, e um dos que viajaram ao Vaticano, o documento contaria com cerca de 18 mil assinaturas, colhidas em menos de um mês por meio de manifestações como carreatas, caminhadas e conversas com a população das cidades cobertas pela diocese. Além de Quixadá, compõem a diocese os municípios de Quixeramobim, Itatira, Boa Viagem, Madalena, Choró, Itapiúna, Capistrano, Ibaretama e Banabuiú, envolvendo uma população de mais de 300 mil habitantes.

No Vaticano, o grupo de quatro pessoas tenta contato com o prefeito da Congregação para o Clero, dom Cláudio Hummes. No encontro, relata Gilmar Barros, eles vão relatar o que consideram abusos cometidos por dom Ângelo Pignoli, que iriam desde a desconfiança em relação a dom Adélio, até a venda de imóveis pertencentes ao patrimônio da diocese de Quixadá. De acordo com Gilmar, o movimento em solidariedade a dom Adélio não teria nada contra a pessoa de dom Ângelo, mas estranha e lamenta a forma ``desrespeitosa`` como o ex-bispo estaria sendo tratado.

A dissidência na diocese de Quixadá teve seus primeiros momentos em outubro, quando dom Ângelo decidiu realizar uma auditoria nas contas da Faculdade Católica, que tem dom Adélio como chanceler. Em carta publicada no site da arquidiocese em novembro e que vem sendo lida nas missas das paróquias, o atual bispo nega que haja retaliação contra dom Adélio, afirmando, porém, sentir-se no direito de tomar conhecimento das contas de gestão da instituição. Os partidários do ex-bispo, no entanto, não entendem assim, achando que se trata de uma forma de querer expulsar dom Adélio da cidade.

O próprio dom Adélio já teria, segundo organizadores do movimento em seu favor, afirmado que poderá deixar Quixadá se a situação de tensão na diocese perdurar. O POVO tentou contato com dom Adélio para confirmar a versão, mas ele não foi localizado. O silêncio também tem sido a estratégia utilizada por dom Ângelo Pignoli para administrar a situação a partir das críticas de pessoas ligadas ao ex-bispo. Auxiliares de dom Angelo tem afirmado que ele não vai se manifestar sobre as desavenças na diocese. (Jornal O Povo/ Luiz Henrique Campos)

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