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17/12/2009 - 00:00:00
Dom Adélio teria uma botija na Itália
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Os que defendem as posições do atual bispo, dom Ângelo Pignoli, não se manifestam publicamente, mesmo considerando correto o pedido de auditoria na Faculdade Católica Rainha do Sertão. Mas até entre esses, os feitos de Tomasin são reconhecidos como importantes para a cidade nos 21 anos que esteve à frente da diocese.
O reconhecimento se deve a várias ações empreendidas na área pastoral, mas que tiveram efeito econômico em Quixadá, principalmente com a criação em 2004 da Faculdade Católica Rainha do Sertão. Com forte carisma e facilidade para trazer recursos do exterior para as obras da igreja, há quem diga que a cidade era uma antes de dom Adélio, e outra após sua chegada.
Dom Adélio assumiu a diocese em 1988 substituindo o primeiro bispo de Quixadá, dom Joaquim Rufino do Rego, então sacerdote diocesano do clero da Diocese de Oeiras e vigário de Picos-PI. Na época de dom Rufino a diocese apoiou diversos movimentos de trabalhadores e assentamentos rurais. Ao lado de dom Antônio Fragoso, bispo da Diocese de Crateús, foi considerado um dos bispos mais ligados à Teologia da Libertação no Ceará. Dom Rufino permaneceu em Quixadá por quase 15 anos quando foi transferido para a Diocese de Parnaíba (PI), coincidindo com a mesma época em que dom Hélder Câmara se aposentou em Olinda.
Ao substituir dom Rufino, dom Adélio adotou na diocese outra postura, mais voltada à evangelização e ao assistencialismo. Uma obra que se voltou à questão social, mas excluiu a contextualização política. Nessa época, as CEBs e as pastorais sociais foram vivendo uma espécie de limbo, e ele passa a contar com a colaboração de movimentos da renovação carismática.
Outra característica marcante da gestão de Adélio Tomasin foi a capacidade de conseguir recursos do exterior para as obras da diocese. Segundo o médico César Oliveira, um dos coordenadores do ``Movimento em prol a dom Adélio e em Defesa da Diocese de Quixadá``, o bispo tinha uma ``botija na Itália``. Próximo a ele, o médico diz que o bispo era capaz de conseguir de 5 a 10 milhões de euros quando viajava anualmente para a Itália.
Com os recursos, o ex-bispo construiu várias obras. Dentre elas, a mais importante, a Faculdade Católica. O poder de dom Adélio, todavia, vai além, dizem defensores. Eles apontam a capacidade de acolher pessoas necessitadas e sua ``vocação para o trabalho``. De acordo com Oliveira, o ex-bispo teria também forte articulação para conseguir as coisas.
(Luiz Henrique Campos enviado a Quixadá/O Povo)
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