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20/12/2009 - 00:00:00
Artigo - A ``profecia do ano 2012`` e o fim do mundo!
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Para alguns se trata apenas de ficção e sensacionalismo, embora tenha seus fundamentos em ``profecias históricas``.
Para outros, trata-se mesmo de um perigo iminente. Portanto, ``aquecimento global, catástrofes, desastre ecológico, milenarismo, americanismo, castigo, superstição, maldição…``, são palavras chaves para o desequilíbrio da esperança em muitos. Mas isto não é novidade!
Penso comigo: Será que o ano 2012 não se manifestou em algumas etapas da história, a começar pelo ano 70-71 da era Cristã? Neste período o Templo de Jerusalém foi destruído, pelo exército romano, sob as ordens de Tito, filho do Imperador Vespasiano. Os Judeus foram dispersos (Diáspora) e os cristãos passaram a viver um tempo de grandes perseguições e sofrimentos. A fé começava a ter um rosto diferente! O grão de trigo começava a morrer para que se brotasse um autêntico testemunho do Reinado de Cristo. A fé era purificada! No entanto, com a ``destruição do Templo ou o fim do mundo em Jerusalém``, não coincidiu com a volta do Senhor.
Reflitamos: Será que o ano 2012 não desenhou as ``sombras religiosas`` da história, as mortes em ``nome de Deus`` e também ``os abismos sociais e culturais?`` O que falar dos regimes totalitaristas, dos campos de concentração e das tantas mazelas históricas? Será que 2012 não está acontecendo nos laboratórios de manipulação irresponsável da vida humana, nas tantas formas de pobreza e miséria, na falta de solidariedade, na prostituição infantil, na pedofilia, no adultério, na AIDS, nos que morrem por falta do essencial para a sobrevivência? Sim, é evidente que acontece! Vemo-lo na política da corrupção, na banalização dos valores morais e religiosos! Mas o fato que nos espanta é que muitas pessoas parecem adormecidas e em relação a essas destruições e não reagem com assombro, não há dor, medo, ``sofrimento na consciência`` religiosa, moral e ética! O que está acontecendo conosco?
Viver uma fé coagida, motivada pelo medo do inferno, pela simples acomodação de querer a felicidade de forma isolada, individualista, isto sim, faz-nos vulneráveis aos rumores ou às ``reais destruições`` do mundo, afinal de contas, há uma ``liberdade e uma razão`` que cada vez mais se absolutizam na tentativa de dominar o mundo, as consciências e o progresso. Apesar disso, nós que cremos no Deus vivo, não podemos nos abalar. ``Não fomos avisados acerca de tudo isso?`` Onde está a nossa intimidade com a Palavra de Deus, nossa âncora, nossa luz, nossa esperança?! Sim, ``temos a esperança que não decepciona!`` (cf. Rm 5,5).
E qual é mesmo a esperança do nosso coração?
Esperança de que Deus está no comando e que tem este mundo em suas mãos, ainda que este nos pareça abandonado à ``razão doentia do homem``. Há uma ``razão criadora`` que cuida providencialmente deste percurso, embora não dispense a participação da liberdade do homem. Por isso, não se trata de ``predestinação, muito menos de reencarnação``, mas da vitória da vida sobre a morte, da acolhida da graça mediante a fé em Jesus Cristo, nosso Salvador.
Não tenhamos medo dos calendários dos homens! Para nós que cremos em Jesus Cristo e no Seu Evangelho, a volta do Senhor permanece uma certeza absoluta, real, porém, imprevisível. ``Ninguém conhece este dia, nem os anjos do céu, nem o Filho, ninguém senão o Pai, e só ele`` (cf. Mt 24,36). ``Quando essas coisas começarem acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima`` (Lc 21,28). Diante do que ``pode acontecer``, Jesus nos manda tomar cuidado com algo mais essencial: ``Que o coração não fique insensível por causa da gula, da embriaguês e das preocupações da vida`` (Lc 21,34), dizia a Liturgia do Primeiro Domingo do Advento. Agora, deveríamos temer e nos assombrar com o ``acontecimento de 2012 no nosso coração``. Este não é ficção, mas real quando a sedução deste mundo nos embriaga! Eis o perigo de vir a nos acostumar com as coisas que passam, de juntarmos nossos tesouros aqui e não mais desejarmos a vida eterna porque ela atrapalharia os nossos planos. ``A vida eterna para alguns parece mais uma condenação do que um dom`` (Bento XVI. Spe Salvi,10).
Templo de Jerusalém, Vaticano, Cristo Redentor, Basílicas...
O ``templo físico`` para a fé católica tem sua importância, as ``Catedrais Românicas e Góticas`` dos séculos anteriores são testemunhas silenciosas. Precisamos do templo porque é lugar privilegiado da manifestação de Deus. Nele nos reunimos em comunidade para celebrar a fé e dar glória a Deus. No entanto, a essência da nossa fé não depende das estruturas físicas, dos edifícios, bem diriam os que deram testemunho nos tempos em que não se podia estar no templo, mas escondido nas casas, nos calabouços e nas prisões. Nossa fé depende, primeiramente, da adesão a Jesus Cristo e do Seu Evangelho. Sem a adesão a Jesus Cristo não há comunhão dos Santos, não há Igreja, Corpo de Cristo, não há o templo físico e o corpo humano não se torna templo do Espírito Santo!
O Senhor voltará, sim, é verdade, esta é a nossa fé! Quando acolhemos a Sua Palavra, quando celebramos a Eucaristia, quando vivemos o amor fraterno também Jesus vem! Mas a Igreja espera a volta definitiva do Senhor com alegria e esperança, rezando cada novo dia quando o mostra presente na Eucaristia, dizendo: ``Eis o mistério da fé! Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição, vinde Senhor Jesus!`` A literatura e o cinema criarão sempre seus meios para tornar a fé algo supérfluo, e tentar nos convencer de que Deus está adormecido, morto, impotente, o que, absolutamente, não é verdade! Deus está vivo! ``O Vivente caminha com o homem!`` Este vivente voltará outra vez! Portanto, vivemos da fé na Palavra de Deus e não de profecias humanas! Cremos que o ano 2012 já acontece nas consciências que se deixam arrastar pelas falácias da literatura e do cinema. Saibamos extrair o trigo do que a modernidade, através desses meios tão importantes de cultura, oferece.
``Não tenhais medo``, disse Jesus aos seus discípulos! (…) ``Tende confiança, eu venci o mundo!`` (cf. Jo 16,33). ``O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado`` (Rm 5,5) e, este amor, lança fora todo medo! A não felicidade e a destruição do nosso coração serão evidentes, sempre que a profecia do amor de Deus não for definitiva nos nossos corações e, consequentemente, nossa vida vir a se tornar egoísmo, omissão e indiferença. Que a ``profecia do fim do mundo para o ano 2012`` se antecipe no meu e no seu coração na destruição do desamor, pois só assim poderemos ajudar o coração do homem hodierno a voltar para a verdadeira profecia, a do amor de Deus! Esta sim, cumpre-se cada dia, e cumprir-se-á sempre! Rezemos juntos com a Igreja: ``Maranatá: Senhor nosso, vem!`` (Ap 22,21).
ANTONIO MARCOS, é missionário na Comunidade Católica Shalom, seminarista do Bacharelado em Teologia pela Facaf / Itep – Jornal O Povo)
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